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D'Alma
Desenhado por: Daniela Ferreira
Para a cozinha D’Alma, a minha premissa não era criar apenas uma cozinha funcional, mas sim um organismo vivo que devolvesse à cozinha a sua essência. Para mim, este espaço não é uma zona de refeições... é o coração da habitação, um refúgio onde o ritmo do dia a dia abranda e nos convida a estar presentes.

D’Alma reflete a minha busca por algo autêntico, sem a rigidez das linhas retas e das superfícies estéreis, optando por uma geometria orgânica que flui naturalmente. Desde as curvas da ilha até à transição suave do teto, tudo no projeto foi pensado para reduzir o stress visual. Queria criar um ambiente que nos abraçasse logo à entrada, onde a harmonia fosse sentida, e não apenas vista.

A peça central é a mesa de madeira maciça que cresce a partir da ilha de mármore travertino, sendo a materialização do que acredito ser o design emocional. Ao fundir a solidez e a história da pedra com o calor e as imperfeições naturais da madeira, procurei criar um contraste que pede para ser tocado. É aqui que a vida da casa se concentra: uma peça escultórica que, para mim, é o ponto nevrálgico da sociabilidade e do querer estar "d'alma no espaço".

A janela panorâmica não é apenas uma abertura para o exterior, é uma moldura viva. A forma como a luz se filtra pela vegetação do jardim e desenha sombras que dançam pelo chão vindas das janelas laterais ao longo do dia é algo que pretendo evidenciar. Na escolha dos materiais (a nogueira, a mármore travertino, os pormenores de acabamentos e decoração acetinados e orgânicos, etc) fui guiada pela longevidade, já que recusei utilizar o que é efémero ou descartável. Quero que estes materiais envelheçam e contem histórias com o passar dos anos. A iluminação que projetei é difusa e acolhedora, focada em realçar a textura dos materiais evitando agredir o olhar.

Para mim, a D’Alma é a minha resistência ao ritmo acelerado do mundo. É uma cozinha que desenhei para ser sentida, celebrando o equilíbrio entre o design sensorial, a funcionalidade e a (im)perfeição natural. É um espaço de permanência e de profunda conexão humana, que reflete exatamente como acredito que devemos habitar a nossa cozinha... e o nosso lar.